VIVEIRO COMUNITÁRIO - UMA AGRESSÃO

VIVEIRO COMUNITÁRIO – UMA AGRESSÃO

A primeira vista supõe-se que grandes viveiros comunitários são locais adequados às aves que estão aprisionadas é muito melhor do que qualquer tipo de gaiola ou de ambientes mais restritos. Há uma situação que não pode ser contestada, por esse ou por aquele motivo são centenas de milhares delas em poder da população e que não podem ser soltas na natureza.

A obrigação da sociedade, a nossa obrigação, então é de cuidar desse patrimônio genético e não de provocar maus tratos, assunto tão em moda. Está havendo, por coincidência, no CONAMA com muita oportunidade, reuniões para discutir o tema, no entanto, acreditamos que a particularidade, aqui levantada, sobre forma de acondicionar, não passa pela cabeça de nenhum dos participantes, mas teria que ser discutido.

O pior tem muita gente, até com boas intenções, que supõe que se estaria fazendo um bem colocando as aves todas juntas em um viveiro, ledo engano. Elas quando estão em liberdade tem um tipo de comportamento e a vastidão da natureza como limite de espaço, são inúmeras rotas de fuga, abrigo na vegetação e o próprio instinto de preservação que as orienta e lhes proporciona uma razoável segurança, pelo menos contra agressões físicas incomuns e imprevisíveis oriundas de uma convivência forçada e mal idealizada.

Lá cada um respeita o território do outro como se houvesse um tácito acordo. Um pássaro maior (não predador) sabe que se chegar perto do ninho de outro menor irá ser agredido pelo casal e como é lógico, ninguém aprecia ser incomodado ou incomodar outrem, regra geral.

E o principal de tudo, grande parte dos viveiros que temos visto até hoje, seja particular ou público, é de péssima concepção arquitetônica, permite a entrada de roedores, detém poleiros mal colocados, são locais úmidos, infectos, de ventilação excessiva que ocasionam um profundo mal estar às aves que não tem onde se proteger.

Além do mais, resta o problema do delicado processo de acondicionamento da comida e da água, na maioria ficam embaixo dos poleiros, contaminadas com excrementos e fungos por falta dos cuidados adequados. Tudo sem falar da higienização geral que é deficiente e uma porta para contaminação e aparecimento de graves enfermidades que dizimam os indivíduos assim aglomerados, pode ser que aquele que concebeu pensou mais na estética do que no bem estar das aves. Quase nunca se toma cuidado com a entrada de roedores que provoca um suplício nas aves quando atacam à noite. Mutilam, matam e infectam todo o ambiente.

Ainda mais se lembrarmos que esse tipo de depósito só pode ser temporário e provisório, a utilização do patrimônio genético quer dizer reprodução e como se fazer isso nesse tipo de ambiente. Quem quiser constatar a veracidade de tudo que falamos é só visitar os que existem por aí e observar os aspectos levantados; são raríssimas e honrosas as exceções.

Acresce dizer que quase a totalidade das aves é territorialista e muito agressiva com outros indivíduos da espécie e até com de as que lhe são diferentes. Para se colocá-las juntas, é preciso que haja uma observação muito acurada. Aquelas que estão com falta de penas e debilitadas não podem de forma alguma estar por ali juntas.

Há ainda um problema a considerar, alguns indivíduos, se forem da mesma espécie e do mesmo tamanho, por disputa de espaço não deixam os mais fracos comerem ou beberem água. Teríamos que construir um viveiro com dimensões mínimas de 0,5 m3 para cada um dos pequenos e 1.0 m3 de espaço para os maiores; e ainda com variados locais para os comedouros, bebedouros e vasta vegetação para evitar ataques, e outra: os que já estão mais acostumados por que lá estão por mais tempo, não admitem a entrada de novos indivíduos que vão concorrer com o espaço e alimento, os perseguem até mutilá-los ou matá-los.

Outro aspecto, quando se coloca aves em um local estranho e diverso tem-se que tomar conta delas, de meia em meia hora, por alguns dias; observar se todas estão se alimentando corretamente e se protegendo ao dormir e tudo o mais, senão a mortalidade é grande.

A verdade é que as aves têm que ser tratadas de forma personalizada e por quem gosta, entende e tem interesse por elas, porque sabem quais são as particularidades de comportamento de cada uma das espécies e se dispõem a realizar um trabalho de aproveitamento do que elas representam. Se pensarmos então o que poderão fazer aqueles de maior tamanho e agilidade com os de menor porte, uma verdadeira carnificina.

Isto posto, lógico que sabemos e estamos de acordo que há alguns casos em que as pessoas e os técnicos encarregados tomam todos os cuidados necessários, em especial, quanto à quantidade de indivíduos e selecionam devidamente aqueles que aceitam e suportam conviver ou para fazer a muda de penas coletivamente.

Outro caso importante, que concordamos, são aqueles onde se coloca apenas um casal com objetivo de reprodução adotando as técnicas exigidas para cada espécie. É assim que fazemos aqui na LAGOPAS, colocamos um casal ou um só pássaro isolado em um viveiro ou na baia como forma de oferecer um recinto onde ele possa voar mais à vontade e tomar sol. Fazemos um rodízio com os nossos pássaros, em especial com aqueles mais idosos e debilitados.

Mas a nossa principal preocupação é quanto a utilizar o viveiro comunitário, a aglomeração das aves método sub-reptício, covarde e cruel de deixar as aves morrer de propósito, tendo um insensível argumento de alguns que se acham mais inteligentes que os outros e defender ser melhor a morte do que entregá-las a qualquer tipo de criador, uma fogueira disfarçada; tem gente que defende essa posição e ainda diz que tem grande preocupação com o meio ambiente, a lei, a decência está sendo jogada no lixo.

Uma horrível forma de extermínio sobre intenso sofrimento e pior: ninguém é responsabilizado, como em alguns casos, tem sido até hoje. Por tudo que dissemos, não temos dúvida em afirmar que os viveiros comunitários para nós são “campos de concentração” verdadeiros locais de extermínios uma agressão à individualidade de um bem que é de toda a sociedade.

Texto publicado no Atualidades Ornitológicas 119

Aloísio Pacini Tostes – Bonfim Paulista – Ribeirão Preto SP

 

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