O momento da gala
A “Gala” é a relação sexual entre o casal. O macho estufa as penas, mostra-se garbosamente, levanta as asas e canta o mais bonito que sabe. A fêmea abaixa as asas e fecha os olhos. Em seguida ele, batendo as asas, voa acima da fêmea. Colocando os pés nas costas dela, faz com que, durante 1 segundo mais ou menos, haja o contato das cloacas. Dessa forma, o esperma penetra no organismo da fêmea e fica retido no oviduto até a fecundação dos ovos. A gala mais eficaz é a do segundo dia à tardezinha, na antevéspera do primeiro ovo.
É um dos itens mais complicados na criação em ambiente doméstico, mormente de bicudos, por causa da agressividade das fêmeas. Cada uma é de um jeito, umas batem no bicudo, outras são mais mansas. É fundamental que se conheça o procedimento de cada uma no momento da gala.
Cada macho também tem um tipo de reação e uma maneira de galar. Fique muito atento, conheça o melhor possível cada um, macho e fêmea, faça anotações. Nunca coloque machos inexperientes com bicudas/curiolas agressivas; para facilitar a cruza, às vezes funciona retirá-las do ambiente e tentar a gala em local afastado de sua respectiva morada. Tem-se que treinar o macho a passar de uma gaiola para a outra antes da gala, isso é fundamental.
Além de toda a dificuldade, ainda é muito comum a esterilidade momentânea ou definitiva, principalmente nos machos. Por isso, só coloque machos para galar quando estiverem com muita saúde e com a muda bem seca e as penas da borda da cloaca (espigão) visíveis e arreadas. Colocá-los no sol por 15 minutos todos os dias ajuda muito a melhor sua libido e conseqüente fertilidade.
Caso aconteçam ovos brancos (não fertilizados) verifique a saúde dos pássaros e administre vitamina E, selênio e lisina. Cuidado com infecções crônicas e taxa alta de coccidiose, que só podem ser avaliadas através de ajuda de um médico veterinário.
Sempre que colocá-los juntos, na mesma gaiola, gaiolão ou viveiro, observe constantemente o comportamento do casal para atuar, em caso de necessidade.
Outra forma boa de cruzar é ao clarear do dia, na hora que o bicudo/curió acorda; nesse momento eles estão muito propensos a galar, porque no mato fazem isso todos os dias a esta hora. Muitos deixam o passador aberto à noitinha para fechá-lo assim que clareia o dia. Muita gente emprega esse método para galar fêmeas que não abaixam, muitas vezes dá certo. Só faça isso com machos bem experientes.
Nunca deixe a fêmea pegar o macho e vice-versa, antes ou depois da gala. Isto pode inviabilizar definitivamente o cruzamento que se deseja fazer e não se esqueça de anotar o nome do casal, o dia e a hora do cruzamento. Há fêmeas que ficam abaixando sem botar por vários dias, pode ser problemas com a alimentação ou com a saúde da ave; ocorre muito quando o procedimento se refere a primeira postura da temporada.
Para quem usa gaiolões, o melhor é:
- usar um macho para várias fêmeas, mais ou menos cinco;
- deixar o respectivo separador na posição de fechamento, se for preciso;
- colocar a gaiola do macho ao lado do gaiolão da fêmea com os respectivos passadores abertos;
- é comum a fêmea escolher o macho pelo canto ou pelo aspecto físico. Afaste os machos não utilizáveis na reprodução.
- antepor entre o macho e a fêmea uma tábua para que não se vejam até o momento certo;
- certificar-se de que a fêmea está mesmo receptiva e abaixando; (No primeiro dia, às vezes, ela ainda não aceita);
- só retirar a tábua separadora quando a fêmea abaixar, isto é, ficar na posição de receber a gala do macho;
- após a gala, fechar imediatamente o separador do meio do gaiolão, colocando um de cada lado, para não acontecerem desentendimentos entre eles;
- lembrar que uma só gala, se for no momento certo, dá para fertilizar até três ovos; e.
- só colocar o macho para galar duas vezes por dia, uma de manhã, bem cedinho, e outra à tardinha.
Obs.: Há machos que não podem ficar perto de fêmeas que estão pedindo gala, ficam chocos ou passados de fêmea e aí recusam temporariamente fazer a cobertura. Afaste-os do criadouro e traga-os somente no momento da gala.
Texto retirado do livro Criação de Bicudos e Curiós
Aloísio Pacini Tostes – Bonfim Paulista – Ribeirão Preto SP