CARRETA

07/05/2013

Numa minha viagem ao Paraná, passando por Ponta Grossa Pr, o Tenente Alcides me levou na casa de alguns curiozeiros para ver se via algum daqueles bem grandes e bonitos como o Chulé. Acheii um, lindo, só que mais grosso mais forte. De canto bem agradável,  da cabeça grande e chata, tipo de um guerreiro. Me encantei com o curió e o adquiri por indicação do amigo. Pus o nome nele de CARRETA. Cheguei em Brasilia com o bicho e ele entrou na muda. Depois dela,  arrumei uma fêmea bem boa e conseguir acasalá-lo. Bem entendido, qualquer curió se não estiver bem acasalado e bem acertado com a fêmea não rende e pode até não apresentar seu potencial. Descobri também  uma coisa importante: na época não adiantava buscar curió oriundos de climas quentes e levá-los para Brasilia. O clima temperado de lá é inimigo de pássaros do norte/nordeste. Hoje nem tanto porque são todos pássaros são de origem doméstica e filhotes de ambiente controlado que não sentem tanto. Mas, naquela época muitos eram de origem desconhecida. Então,  na maioria,  sentiam muito o frio da Capital e não rendiam ou abriam fogo. Bem, voltando ao curió Carreta, ele apresentava muito fogo e pouca quantidade, brigava demais e quase não soltava o canto na roda. Nos primeiros torneios nem classificou. Ficava só brigando e pouco canto. Porém, aos poucos foi se acostumando e o desempenho melhorando. Começou a ganhar troféus  "rabeira" mas devagar foi melhorando até que passou a ganhar entre os cinco primeiros. Lembro-me bem de um torneio em Ribeirão Preto onde se classificou em quarto lugar numa roda com 150 participantes. Um sucesso. Não demorou muito o interesse dos outros companheiros sobre o bicho. Então, num belo dia o Celso Neves me cutucou e depois de um breve diálogo fizemos o negócio. Passei o Carreta para ele. Ganhou algum troféu e logo repassou para o saudoso amigo o Geraldo Mamede. Aí é que houve o problema. Geraldo estava satisfeito, pois  foi um dos primeiros curiós a lhe dar troféus e assim ficava alegre e rindo à toa. Até que um dia,  na viagem,  deixou ele encapado de parelha com um bicudo macho - coisa que não se faz, não se pode viajar com dois machos encostados um no outro - . Aconteceu o pior,  o bicudo fez um buraco na capa e pegou o Carreta pelo pé. Geraldo dirigindo,  só percebeu depois de algum tempo. Quando foi acudir,  o bicho já estava todo ensanguetado e machucado na junta da perna. Depois de tentar medicar e curar o bicho,  levou lá para casa no Lago Norte  para eu dar um jeito. Chegou com a penta toda inchada e infeccionada. Tentei de tudo para resolver o problema, não consegui. Infelizmente o Carreta veio a óbito lá na nossa academia em função de uma infecção generalizada, la mentavelmente. 

Abrir conversa no WhatsApp com LAGOPAS

www.lagopas.com.br - 2026 - Desenvolvimento: Fênix Sites